O sopro

O vento corta meu rosto

Como mil lâminas de gelo

Enfurecidas pelo ambiente hostil

Que insiste em me tocar

A cada lento passo que posso suportar

 

São as brisas de um inferno

Onde não deveria estar

Já não sinto as batidas do meu coração

Tão pouco o calor da minha própria alma

 

O deserto que me encobre nesta noite fria

Reduz ao pó as memórias que ainda guardo

Como folhas secas sopradas ao vento

Como fantasmas sussurrando palavras esquecidas

 

Os ossos trincados sob o próprio peso

A mente destorcida na sua própria escuridão

E o suave sopro que logo irá acabar

Mas não acabou…

 

E dilacera o que não deveria…

Nem na vida, nem na morte

O que faz o sangue pulsar

O que faz a mente brilhar

E o corpo caminhar

 

A gravidade das situações torna-se infinita

E sou obrigado a rastejar pelo chão

Desprovido da esperança pela própria fé

E esquecido pelo próprio amor

 

É difícil respirar o ar que não é meu

E nunca será…

 

E nesta terra que não é minha

Não há estrelas, não há luz

Não há caminhos para andar

Não há céus para voar

 

O que resta, é apenas o eco

Do frio sopro da vida

Que aos poucos se dissipa

Em lágrimas doloridas

 

Já não temo o fogo da terra

Tão pouco as nuvens do céu

Pois diante de mim

Ainda sussurra…

…o grande silêncio da noite

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