A pequena morte

Aqui vejo em mil prantos as águas que caem do rosto fúnebre que em vil consciência desgastou sua vida efêmera. Ali passará os fantasmas de doenças incuráveis da mente humana. Se desfaz pouco a pouco sua grandiosidade na maestria de um eu contente, mas que olhares turvos externos não reconheceram a luz que iluminara. E de castigos lamentáveis a carne se rompe como os pensamentos em vida iluminados, como todos somos.  Um buraco na alma se faz, e o presente momento em uma corda a vida se rescinde no salto para o além de uma existência pequena e banhada em dor. O sofrimento é menor do que parece, as cicatrizes que racharam o alicerce eram fundas e o levaram bem antes de seu último salto. Que as estrelas perdoem a nova e pequena luz que iluminará caminhos de entes queridos. A incompreensão de uma vida fútil e inútil que se desfazia ano após ano e ninguém percebia, agora olham indignados como em pensamentos anteriores ter salvado a luz fosca, que com um pano limparia e brilharia eternamente, agora és luz fosca no firmamento. Diga antes que a vida se esvaneça, que matar a si mesmo é matar a mim e a todos que juntos caminhamos, se não matar mais ninguém, tanto faz viver ou morrer, a dor será eterna e a confusão de mentes também.

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O sopro

O vento corta meu rosto

Como mil lâminas de gelo

Enfurecidas pelo ambiente hostil

Que insiste em me tocar

A cada lento passo que posso suportar

 

São as brisas de um inferno

Onde não deveria estar

Já não sinto as batidas do meu coração

Tão pouco o calor da minha própria alma

 

O deserto que me encobre nesta noite fria

Reduz ao pó as memórias que ainda guardo

Como folhas secas sopradas ao vento

Como fantasmas sussurrando palavras esquecidas

 

Os ossos trincados sob o próprio peso

A mente destorcida na sua própria escuridão

E o suave sopro que logo irá acabar

Mas não acabou…

 

E dilacera o que não deveria…

Nem na vida, nem na morte

O que faz o sangue pulsar

O que faz a mente brilhar

E o corpo caminhar

 

A gravidade das situações torna-se infinita

E sou obrigado a rastejar pelo chão

Desprovido da esperança pela própria fé

E esquecido pelo próprio amor

 

É difícil respirar o ar que não é meu

E nunca será…

 

E nesta terra que não é minha

Não há estrelas, não há luz

Não há caminhos para andar

Não há céus para voar

 

O que resta, é apenas o eco

Do frio sopro da vida

Que aos poucos se dissipa

Em lágrimas doloridas

 

Já não temo o fogo da terra

Tão pouco as nuvens do céu

Pois diante de mim

Ainda sussurra…

…o grande silêncio da noite

Promessas

O mundo anda complicado

O pensamento parece ofuscar

As palavras que aprendi

Em outro lugar

Em outra época

 

As correntes que me prendem

Às antigas promessas

Ainda me castigam

Como um deserto frio e escuro

Como uma poeira errante

 

Caminho com um objetivo preciso

Minhas mãos cansam o papel

Os símbolos que ali estão

Carregam meus sonhos

 

Uma luz entre as pedras desta caverna

Na imensidão desta escuridão

Carrego minha vela

E uma promessa de dias melhores

 

Olho para os espinhos sem rosas

Para os corações quebrados

Para as cartas queimadas

E para toda essa dor

Que infesta os anjos e os homens

 

Veja como o mundo é complicado

Como as correntes nos puxam

Rompem nossa lealdade

Com os nossos sonhos

Somos todos filhos perdidos

Soltos no espaço prestes a sucumbir

 

Eu vejo seu rosto

Com um manto d’água

E seus olhos castanhos

Seu sorriso simples e profundo

 

As promessas

Pintadas em sonhos

Esquecidos no tempo

Verso

Ainda que poucos me ouçam

Ainda que poucos me vejam

Ainda que exista caminho sem pés

Ainda que exista céu sem asas

 

Eu ainda estarei olhando para o Sol

Caminhando numa orbita errante

Contemplando

A melodia do universo

E a leveza do tempo

 

Pois caminho na minha própria existência

E voo nas asas do meu pensamento

Onde as nebulosas brilham

E os astros se formam

 

Ainda que poucos ouçam

A melodia dos meus pensamentos

Ainda que poucos vejam

A leveza dos astros.

 

Eu ainda estarei caminhando no universo

Procurando meu próprio verso

Desejo ser

Desejo ser um dia…

O mais valente!

Enfrentarei…

As bestas deste vale

Os espinhos do caminho

A noite solitária

E a dor de cada passo

O mais esperto!

Fugirei…

Da espada cega

Das pedras que rolam sobre mim

Dos caminhos incertos

E das sombras que invadem as almas

O mais justo!

Respeitarei…

O ar que nos envolve

O sol que nos aquece e ilumina

Os seres dos firmamentos

E o tempo das grandes jornadas

O herói das histórias!

Serei…

Escrito nas lembranças

Desenhado nos sonhos

E ovacionado pelos próximos

Sim. Desejo ser um dia…

Um herói…

Como Meu Pai!

Meus Passos

Estou num labirinto

Seu fim, é a minha morte

Procuro entre as paredes

A essência de sua existência

Mas nada vejo…

Além dos enigmas cobertos pelo luar

 

Poderia enfrentar os espinhos

Que me ferem a cada passo

As bestas cinzas

Que iludam meus pensamentos

Os símbolos negros

Que escondem o brilho e o poder

 

Sim, poderia…

Correr leve para estrela

Respirar a suave melodia

Da esfera-viva que gira e canta

Sim….sim…

 

Sim!

Eu esmagaria o ciclo bem-mal

O pó que irrita os olhos

E o fogo que queima as mãos

Mas faria muito mais

Se nos caminhos estreitos

Encontrasse a cada passo

Mais que meus passos